12.16.2017

MEU CARO ALBERT

Meu caro Albert:

Como combinado, não vou divulgar seu número de WhatsApp. Mas, que bom que essa modernidade toda tenha me permitido me conectar com você, para propor aquela modesta equação. Fosse quem fosse, Maria Luiza teria um amor incondicional e imenso. Sendo quem ela é, que tamanho esse amor tem? Você me respondeu com sua tradicional foto com a língua de fora. Deduzi então que você, mestre da relatividade, estaria desistindo desse tipo de cálculo. Mais ainda, sem necessariamente incluir você, que nosso amor por Maria Luiza não tem tamanho, e, portanto, deixa de ser relativo, absoluto que é.

Agora me conte: como é falar com Jesus Cristo em alemão? Ah. É em aramaico que vocês falam. Não fosse você quem é. Ao Pai, àquele que não joga dados, diga por favor que compreendemos a falta de intromissões que aqui entendemos como imprescindíveis. Afinal, mesmo com você de assessor, deve ser mesmo difícil manejar os astros e suas explosões. Nem por isso deixo de recomendar a você umas rodadas com Tom, Vinicius, Pixinguinha e Cartola. Convide também o Louis Armstrong. Não me venha com essa inoportuna e descabida modéstia. Eles dominam duas línguas que são fáceis a você e também a nós: música e poesia.

Meu caro Albert: que a alegria da comemoração da formatura da Maria Luiza em medicina, com as medalhas pelo primeiro lugar na universidade que cursou, se espalhe por aí e por cá, e que coisas boas e leves sempre nos espantem, a nós e a você, todos com a língua de fora a debochar da maldade, ainda que tristes por causa dela. Assim iremos derrotá-la, relativa e passageira que é.

Do seu absoluto admirador,

Mario.


mariobenevides.blogspot.com

10.22.2017

O OTIMISTA

O OTIMISTA
Acredito que as eleições de 2018 serão excelente oportunidade de recomeço. A renovação do Congresso não precisa nem deve ser integral. Basta que tenhamos atenção em quem e como votou ou deixou de votar. Não mais do que isso. A base deve ser o Congresso, ainda que o cargo de presidente da república venha, como virá, a monopolizar escolhas e debates. Candidaturas aos governos estaduais virão à tona em algum momento, mas a grande questão é a nacional: como arrumar a casa?

Tenho aqui um leque de ideias, decorrentes dos meus convívios e reflexões.

Educação em tempo integral, conectada pela internet a redes educacionais internacionais de eficácia comprovada.
Diminuição radical de cargos de indicação política (comissionados).
Sistema prisional restrito a crimes gravosos e com foco na recuperação social para o mercado de trabalho. Mediação para solucionar pequenos delitos e causas.
Emprego da lei de organizações criminosas, base da Lava Jato e suas delações premiadas, ao tráfico de drogas.
Compensações de ordem judicial-penal a quem entregar ao Estado armas ilegalmente adquiridas.
Legalização gradual e planejada da oferta e do consumo de drogas.
Campanhas estatais e privadas de alerta à facilidade de adesão, prejuízos no uso e extrema dificuldade de se livrar das drogas.
Campanhas estatais e privadas a favor da integração social: zero preconceito, zero discriminação de qualquer natureza.
Racionalismo econômico: consciência de que vivemos em um mundo globalizado, interligado, interdependente, baseado no comércio de bens e serviços.
Gestão profissional da saúde, segurança e educação, com a coparticipação da iniciativa privada.
Saneamento básico já.
Privatizações, por meio de concessões, das atividades estatais que possam ser mais bem desempenhadas pela iniciativa privada, devidamente regulamentadas e fiscalizadas.
Agências reguladoras, representantes do Poder Concedente (Aneel, Anatel...), de gestão técnica, subordinadas ao Poder Judiciário, assim como a Polícia Federal, com a extinção do Ministério da Justiça.
Planejamento de longo prazo com foco na sustentabilidade econômica, social e ambiental, com a participação dos três poderes da República, da Academia e da sociedade civil organizada (OAB, CREA..., entre outras instituições).
Redefinição da repartição de recursos: maior federalização, estadualização e municipalização.
Voto em quem respeita a si, aos outros e à sociedade, em palavras e gestos, tom e atitude.
Democracia, liberdade de expressão e, acima de tudo, respeito.
E, como cabe a qualquer otimista,
Seja o que Deus quiser.
mariobenevides.blogspot.com. 

10.01.2017

Carta de um contribuinte

Excelentíssimo Sr. Juiz Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça,
Muito obrigado pela pesquisa realizada sobre o desejo de seus seguidores no twitter sobre a possibilidade de uma intervenção militar em nosso país. Sabendo da sobrecarga de processos que recai sobre nossos magistrados, possivelmente um dos fatores a prejudicar a celeridade do Poder Judiciário, queira por favor apreciar a modesta sugestão de encaminhar os processos que se avolumam sobre sua mesa aos prestigiosos institutos de pesquisa brasileiros, como IBOPE, Gallup e Data Folha, entre outros.
Atenciosamente,


Um contribuinte.

9.19.2017

AINDA AS MESMAS CORTINAS

Minha publicação de 8 deste mês - "EM UM PAÍS IMPROVÁVEL, DE DIFERENTES DESNÍVEIS ALÉM DOS GEOGRÁFICOS, UM POSSÍVEL DIÁLOGO" -, recebeu de dois advogados amigos meus, Norberto Mühle e meu irmão Luiz Benevides, um simples e fundamental esclarecimento: o país é laico, mas não ateu. Eles estão certos. Errado está desenterrarem no congresso temas como a cura gay, como se orientação sexual fosse doença, reforma constitucional obrigando a mulheres gerarem filhos produto de estupro e/ou descerebrados, e calar sobre o vandalismo contra centros de Umbanda e Candomblé. A lei garante a liberdade de religiões, não a supremacia de uma em relação às outras, bem como expressa o objetivo de construir uma sociedade sem qualquer tipo de discriminação. Não se trata aqui de ir contra qualquer religião, de quem quer que seja; o ponto é: canastrões que se dizem pastores religiosos estão levando para o congresso imposições hipócritas e perigosas, com reais chances de aprovação por esse congresso, que corresponde à pior safra de políticos da nossa História. Estamos mesmo envoltos por cortinas de fumaça, e fumaça de alta toxidade social. O país permanece improvável. E o diálogo? É possível?

9.09.2017

CORTINAS DE FUMAÇA – 1 - HOMEM E MULHER

            Dizem que religião é um dos assuntos proibidos, mas, se não nos falarmos, aí mesmo é que não vamos nos entender, e dar de bandeja para quem ganha com isso.
Há bons religiosos, que desempenham seu papel com a intenção de fazer o bem, de trazer conforto, esperança, consolo, remédio e comida. Uma coisa é o religioso; outra, o manipulador.
Se tivermos sorte e determinação; se conseguirmos protestar e discordar civilizadamente, mantendo as amizades acima das nossas paixões e supostas verdades em matéria política, teremos eleições em 2018. (Que ninguém se iluda, isso depende de nós.) É bastante provável que alguns candidatos de 2014 o sejam novamente. Lembro-me de mais de um que falava sobre qualquer coisa e depois concluía: “Para mim, casamento é entre homem e mulher”. Pouco importava se a questão era o panorama político, beirando à ruína; o andar para trás da economia; a cruel e burra distribuição de renda – a 76a entre 136 países; a violência a passos largos para a barbárie; ou as hordas de desgraçados vendendo ou se entupindo de drogas, principalmente a mais barata e vil, por absoluta desesperança e falta de oportunidades, a grande maioria desde o nascimento. Nada disso importava, o que realmente importava para aqueles candidatos era o bordão que os conectava: “Para mim, casamento é entre homem e mulher”. Não se elegeram, nem se esperava por isso, mas alcançaram o que queriam: abocanhar mais poder. Seus eleitores não pensam sobre si - suas péssimas condições de vida, seus filhos fora da escola ou a frequentando sem condições de aprendizagem, podendo ser mortos dentro da escola, enquanto os nossos filhos, tomara – Deus queira - que voltem para casa, sãos e salvos.
Os eleitores dos que levam livros religiosos para o lugar errado, apenas para abocanhar mais e mais poder, mera, covardemente fisiológico, convivem conosco, em nossas casas, em nossos trabalhos, nas lojas, nas ruas. Mas não os vemos, somos de mundos diferentes. Eles nos veem. E nos escutam. Como falar com eles? Ou não tem nada a ver?

9.08.2017

EM UM PAÍS IMPROVÁVEL, DE DIFERENTES DESNÍVEIS ALÉM DOS GEOGRÁFICOS, UM POSSÍVEL DIÁLOGO.

- O Brasil é um Estado laico.
- O Brasil? Um “estado”? O Brasil não é feito de estados?
- Sim. “Estado”, neste caso, significa nação, país.
- Hum.
- O Brasil é um Estado laico.
- O que é “laico”?
- A religião não interfere nas decisões do Estado. Religião é fé, com diversas correntes, mesmo em uma mesma religião. Estado, quando é laico, é lei. Entre as pessoas.
- E daí?
- E daí? Por exemplo, se livros religiosos forem para o Congresso, a Constituição Federal terá que ser levada aos encontros religiosos - de qualquer, de todas as religiões.
- “Constituição Federal”?
- Sim. Este livro aqui.
- Hum. Pode me emprestar um pouco?
- Claro.
- “Nós, representantes do povo brasileiro, ... sob a proteção de Deus...”
- Xi...

9.04.2017

ASSIM CAMINHA A BRASILIDADE

Assim caminha a brasilidade – pelo menos a minha. Aos quase 62, quando finalmente me olhei no espelho e me disse o mesmo que meus amigos trintões dizem para si e todo mundo – “estou ficando velho”-, resolvi mentir pra mim mesmo: ingressei na faculdade de direito. Entre as pesquisas que já fiz por obrigação e gosto, uma chegou a um encontro entre Miguel Reale e Norberto Bobbio, este a convite do primeiro, em Brasília, 1983. Segundo Reale, Bobbio se dizia a favor do socialismo liberal (Bobbio, na juventude, foi marxista). Reale (integralista quando jovem), contando essa história, defende o liberalismo social - e afirma que a solução, superando a disputa ideológica, de toda forma estaria no centro. Eis que, ontem, em O Globo, leio sobre uma segunda bomba do jornalista Lauro Jardim: o DEM vai se chamar Centro. Poucos dias antes, vi Rodrigo Maia dizer que o Democratas era um partido de direita liberal, ou de centro-direita. Por essa linha, eleitores de direita liberal vão declarar seu voto no Centro – e como hoje, literalmente, falamos pelos dedos, eleitores de centro dirão que votarão no centro, mas não no Centro. Para acabar com a discussão, dois novos partidos serão inventados: Esquerda e Direita. Repetindo a história, virá a Revolução Francesa. Ou então, a saída é que será à francesa.

MARIO BENEVIDES / FACEBOOK.

8.07.2017

DEZ PASSOS PARA CONSTRUIR UMA POTÊNCIA ECONÔMICA DESIGUAL, VIOLENTA, GOVERNADA POR INCONSEQUENTES



1.     Deus é brasileiro. E Deus disse: Vocês vão ver o povo que eu vou por aí.
2.     A culpa é dos portugueses e suas capitanias hereditárias.
3.     A culpa é do imperialismo, do comunismo, do catolicismo.
4.     Quem sabe faz, quem não sabe ensina.
5.     O problema é a classe média.
6.     O problema é a classe dominante.
7.     O problema é o Zé Povinho.
8.     O brasileiro não sabe votar.
9.     O brasileiro não tem memória.
10.  Repetir de 1 a 9 de geração em geração.
***

Sempre quis saber quem é o “outro” na expressão “Como diz o outro”. Desnecessariamente, claro. Basta que seja o outro.