5.16.2010

O FINAL DE UM ROMANCE E A FÁBRICA DE SINCEROS

Acabo de terminar de escrever um novo romance. Nem o título vou contar aqui, embora ele já tenha estado alguns meses pairando neste espaço cibernético. Vamos à luta, agora, atrás de uma publicação; e vamos retomar outros projetos, incluindo o de, de vez em quando, deixar algo registrado por aqui.

Por aqui acho que estamos todos. Começou a temporada de criação de seres sinceros, simpáticos, educados, gentis, honestos, competentes, sorridentes, enérgicos, ternos, terninhos e gravatas: eleições, especialmente a presidencial. A "festa da democracia". Pena que o convite não nos permita ingressar nos salões de bailes e estratagemas e que frequentemente dancemos de tolos e sejamos pegos de surpresa com os tais estratagemas, sempre pagando a conta, de baile e estratagema. Claro, Churchill estava coberto de razão:a democracia é o pior regime político, à exceção de todos os outros. Só podiam parar um pouco era com esta fábrica de perfeitos que nos querem fazer engolir e fazer com que o respeito - e tudo o que ele significa - passasse a prevalecer.

Admitamos: já foi bem pior.

Sigamos. A Inglaterra voltará a ser conservadora - isto é: mais conservadora. A Grécia, bem, a Grécia e a Espanha e Portugal... De vez em quando o virtual se mostra concreto, real, assustador; aí, é hora de rearrumar a casa, fazendo a população pagar pelo que não fez, como sempre, através da história. Se não der em guerra, já será um avanço - e, por enquanto, não há indícios de que uma esteja a caminho, a não ser as terrivelmente ininterruptas, incessantes, massacrantes. Seremos os apaziiguadores do oriente médio e pediremos que o oriente médio apazigue nossas cidades; está me parecendo ser esta, a lógica do momento. Ou estou enganado e vivemos em clima de paz permanente?

Prosperamos. Temos dinheiro em caixa. Corruptos são punidos. Décadas de covardia, prepotência, sacrifício, desemprego, salários aviltados, a troca da inflação por juros cavalares é que nos fizeram chegar a este novo panorama brasileiro. Bacana. Vale a pena esperar para ver o quanto de concreto e virtual há nisso; esperemos, sim, mas atentos, olho no lance, mais no que ocorre na política e na economia do que o que acontece na Copa. Difícil, não? De 4 em 4 anos, Copa e eleições. Eis aí um dos estratagemas; eis aí um dos bailes a que fomos convidados.

Quem for vivo irá - e à vera; a rigor.

Um comentário:

Nathália Hiendicke disse...

Gostei do post Mario! Vou acompanhar seu blog sempre que puder.

Até mais.