Uma voz amada me deseja bom dia.
Outra a ela se junta e me diz Bom dia.
As duas conversam e dizem
Uma à outra
Bom dia.
Todo barulho urbano
Será somente percussão
Ora afinada ora desastrada
Dessa melodia.
Que vozes amigas
Amadas sempre nos digam
Bom dia.
O DIÁRIO DO MARIO contém crônicas e poemas de Mario Benevides, além do embrião do romance A REVOLUÇÃO DO SILÊNCIO, do mesmo autor, publicado em 2007 pela Design Editora, aqui no blog com o título A DINASTIA DE RICARDO CORAÇÃO DOS OUTROS.
2.13.2017
2.08.2017
O LADRÃO DE AMIGOS
Eu tenho um amigo que rouba amigos. Ele não rouba nada dos
amigos, mas os propriamente ditos. Qualquer amigo que eu apresente a ele passa
a vê-lo mais que a mim, e tenho certeza de que isso acontece com todo mundo que
é amigo dele. Acontece que um ladrão de amigos, que rouba amizades, é alguém
generoso: compartilha as amizades roubadas. Quando estamos perto, nos convida a
estar com elas. Estando longe, manda fotos, mensagens, telefona. Daí me ter
ocorrido uma ideia: mandar esse meu amigo pra Brasília. Lá, ele reuniria os
corruptos dos três poderes e, de olhos vendados, os levaria a um lugar onde
eles continuassem exercitando o que gostam: roubar, não amigos, mas dinheiro,
qualquer bem material, seja de amigos, inimigos, desconhecidos, de quem tem e de
quem não tem. Só que agora somente entre eles, roubando uns aos outros, em um
lugar só conhecido por eles. Não existem os primos entre si? Corruptos
passariam a ser os ladrões entre si. Os honestos, meu amigo manteria em
Brasília. Quando esses tivessem uma vontade danada de roubar, por certo herdada
do convívio com aquela outra rede social, já teriam aprendido com meu amigo a
roubar somente amigos – amizades -, incluindo o compartilhamento, entre eles e,
até, quem sabe, conosco. Não mereço o Nobel pela ideia? Claro que não. O Nobel
é do Rubens.
6.26.2016
Desconhecidas Bocas
Aos catorze quinze anos teria dito
Janis Joplin não se drogue fique
Aqui conosco.
E teria lhe beijado a boca
Se ela quisesse.
Muitos o teríamos feito
Carinhosamente.
Amy Winehouse filha
De outra Janis
A ela teria dito
Me irrita seu suicídio
Tão anunciado
Óbvio.
A ponto de desgostar
Do que de fato eu gostava,
Da sua voz
Canção.
E teria lhe beijado a boca
Se ela quisesse.
Muitos o teríamos feito
Carinhosamente.
Não necessariamente conhecemos
Quem nos lê.
Não há como conhecer beijar
Tantas desconhecidas bocas.
Não afaste ou despreze as nossas
Principalmente não nos irrite
Com a obviedade.
Experimente o prazer
A onda
Do elevador prédio ônibus errado
Para o bairro longe
Dos óbvios e também
Da sua casa
Possivelmente chata.
Peça-nos exija nossas
Bocas.
A sua
Se você quiser beijaremos
Carinhosamente.
Janis Joplin não se drogue fique
Aqui conosco.
E teria lhe beijado a boca
Se ela quisesse.
Muitos o teríamos feito
Carinhosamente.
Amy Winehouse filha
De outra Janis
A ela teria dito
Me irrita seu suicídio
Tão anunciado
Óbvio.
A ponto de desgostar
Do que de fato eu gostava,
Da sua voz
Canção.
E teria lhe beijado a boca
Se ela quisesse.
Muitos o teríamos feito
Carinhosamente.
Não necessariamente conhecemos
Quem nos lê.
Não há como conhecer beijar
Tantas desconhecidas bocas.
Não afaste ou despreze as nossas
Principalmente não nos irrite
Com a obviedade.
Experimente o prazer
A onda
Do elevador prédio ônibus errado
Para o bairro longe
Dos óbvios e também
Da sua casa
Possivelmente chata.
Peça-nos exija nossas
Bocas.
A sua
Se você quiser beijaremos
Carinhosamente.
Bela e querida Inglaterra
"A União Europeia, uma instituição que
ajudou a manter a paz na Europa por meio século, sofreu um duro golpe" -
The Economist - A tragic split - 24/6/2016.
Bela e querida Inglaterra,
Como no título brasileiro
de England made me,
de Graham Greene,
Te separaste da Europa
Levando contigo teu reino
(até quando?) unido.
Uma mulher perdeu a vida por isso
Porque era contrária à tua separação
Como contrário era The Economist.
Parece ter pesado mais
que a Economia
A imigração.
(Às favas séculos de domínio.)
Bela e querida Inglaterra,
Uma Europa desunida tantas vezes
Tanto sofrimento
Que desta vez
Pelo menos
Assim não seja.
Bela e querida Inglaterra,
Deste distante
Muito mais que crítico
Teu admirador,
Minha tristeza
Pela tua
Se
Pa
Ra
Ção.
Bela e querida Inglaterra,
Como no título brasileiro
de England made me,
de Graham Greene,
Te separaste da Europa
Levando contigo teu reino
(até quando?) unido.
Uma mulher perdeu a vida por isso
Porque era contrária à tua separação
Como contrário era The Economist.
Parece ter pesado mais
que a Economia
A imigração.
(Às favas séculos de domínio.)
Bela e querida Inglaterra,
Uma Europa desunida tantas vezes
Tanto sofrimento
Que desta vez
Pelo menos
Assim não seja.
Bela e querida Inglaterra,
Deste distante
Muito mais que crítico
Teu admirador,
Minha tristeza
Pela tua
Se
Pa
Ra
Ção.
3.09.2016
2.21.2016
Livre tradução de termos usuais em 2016 no Brasil
Golpe: mensalão.
Golpismo: petrolão.
Desrespeito ao voto: fazer o
diabo para ganhar a eleição, mentir deslavadamente para o eleitorado,
amedrontá-lo; propaganda enganosa.
Ilibada: palavra exclusivamente utilizada por quem
desconhece seu significado.
Base jurídica: algo que um juris`ta fundador do PT tenta
demonstrar que existe para o impeachment do governo do PT.
Pedalada fiscal: algo que, por unanimidade, oito juízes do
Tribunal de Contas da União afirmam ter ocorrido.
Congresso: minha cara é do Eduardo, minha cara é do
Calheiros, minha cara é?...
Aliado: Renan Calheiros.
Base governista: Renan, Collor, Picciani.
Picciani: deputado que afirma que o governo não interviu
(não viu entre) na sua eleição na Câmara como líder.
Marcelo Castro: espécie de 007: com licença para intervir; o
que interveio.
Direita conservadora: quem pensa diferente do governo do PT.
O mesmo que coxinha; imbecil; elites brancas.
Barbosa, Nelson: está contudo prosa.
Stédile: quem?
Lula: qual?
FHC: coordenador do Plano Real; em matéria de amante, dedo
podre; generoso com o filho que não teve; de quem são esperadas explicações.
Marina Silva: extraordinária auto-explicação para uma
incógnita.
Temer: decifro-me ou me devoras.
Aécio: até aqui, morreu Neves.
STF: onde estou, quem sou, aonde vou?
13 de março: um grito de esperança. De mais exercício da democracia. Sempre.
12.13.2015
O encontro de Don Manolo com Cervantes (na morte do meu sogro)
O encontro de Don Manolo
com Cervantes (na morte do meu sogro)
Don Manolo, hombre de pocas palabras y
plácido sonriso
Amante de las motos
Profundo conocedor de los vehículos y mucho
más
De las gentes
Saudoso de su Galicia y toda su España
En sueño profundo se fue al encuentro de Cervantes
Para decirle, Miguel, los molinos de vientos
se quedan
Como Don Quijote los encontró
Las gentes permanecen olvidadas de las
palabras y mucho más
De los silencios.
Cervantes acarició sus propias barbas y bigotes
Salió a caminar como se fuera un loco
Miró Don Manolo profundamente dentro de sus
ojos
Suspiró y finalmente respondió al recen
llegado.
Manuel, dejemos las personas con sus molinos
de viento
Vamos nosotros al encuentro del propio
viento.
Al comando de Cervantes
Los dos inspiraran y después soplaran todo el
galáctico viento.
Fue cuando las gentes si sorprendieron con la
lluvia
De meteoritos.
9.12.2015
REALIDADE, SONHOS, VIAGENS
Nesses tempos de governo, para dizer o mínimo,
irresponsável, perdido e negligente, com nosso tão duramente conquistado real
perdendo valor, para não se ensimesmar em turvos pensamentos é preciso perder o
juízo, sonhar e viajar. Foi o que Rosa e eu fizemos, em rápidos e inesquecíveis
dez dias.
Nelson Rodrigues dizia que o único inglês de verdade era o
Antônio Callado. Quase conheci um segundo no ano passado em Londres, mas, por
um detalhe, deu pra ver que Nelson como sempre estava certo: o sósia de John
Hurt – que tampouco é de verdade, porque só faz personagens e sempre
brilhantemente – lia, mas em um tablet. Há reis e rainhas, mas são realeza, não
realidade. Desta vez, tomamos café da manhã em um lugar que também não existe,
chamado Café Mignon, na City of Westminster, perto da Victoria Station. Lá tem
um jardim interno onde chove enquanto lá fora faz sol, uma inglesa que fala
alemão, mas que pode ser uma alemã que fala inglês, um libanês, e uma
provavelmente inglesa a quase contrariar Nelson. No Convent Garden, uma banda
de violinos e violoncelos tocava e cantava e dançava, enquanto bebíamos vinho
branco. Perto do Café Mignon, jantamos pizza servidos por uma furiosa jovem
italiana, enquanto outra, não sei de que nacionalidade, me olhou de cara feia
porque espirrei. Claro: Antônio Callado jamais espirrou.
Fomos de trem a Manchester, onde apresentei um segundo
trabalho em coautoria com meus amigos Baltazar Guerra, PhD nascido em Portugal
radicado no Brasil, e Alek Suni, economista americano descendente de
finlandeses, no Simpósio Internacional de Adaptação às Mudanças Climáticas, na
Manchester Metropolitan University. Como era tudo um sonho, erramos de vagão no
trem, mas ninguém nos expulsou. Fomos de ônibus a Notting Hill, escrito errado
por eles de propósito, porque o certo seria Nothing Hill, pois é lá que fica Portobello
Road, que só existe em canções. Em outro trem, fomos a Chester, que também não
existe, já que é medieval e tem uma loja de City Tan, de bronzeamento
artificial, que confundi com City Tour, para desespero das atendentes e da
Rosa. Em Chester foi que aprendi que Manchester é pró e paroxítona: se
pronuncia MAN-Chés-ter. Na França, seria oxítona; mas era Paris, outro lugar
inexistente.
Hemingway a chamou de festa móvel, e quem se atreveria a
dizer que ele estava errado? Lá, passeamos de dia e com sol e de noite e com
sol. Visitamos jardins, andamos a pé e de barco e de triciclo, nos perdemos e
nos achamos. Em um show de Gospel na igreja de Saint Julien le Pauvre, um casal
muito jovem ficou noivo no final do espetáculo, e Rosa tirou nossas alianças da
bolsa. Disse a ela que as guardasse, porque nossa festa seria somente nossa,
assim como aquela seria somente dos dois no altar, tendo os músicos ao seu
redor. E assim foi: no Closeries des Lilas, restaurante que era frequentado
pelo mesmo Hemingway, pedi ao pianista que tocasse Tom e Vinicius. Em frente ao
piano, ao som de Eu sei que vou te amar, trocamos nossas alianças, e o
emocionado pianista me disse ter sido a primeira vez em sua experiente carreira
que isso acontecia. Sem nunca termos nos separado, vamos nos casar outra vez,
agora com direito a juiz de paz.
Termino voltando ao mundo real e parafraseando Fernando
Pessoa. Na Europa, a tão duramente conquistada paz se funde com o drama dos
imigrantes. No Brasil, o Governo mente. Mente tão descaradamente, que finge ser
mentira a mentira que deveras mente.
Sigamos, enfrentando a realidade, sonhando, viajando. Bons
sonhos, boas viagens, bom sábado.
8.22.2015
7.05.2015
DEZ ANOS DE O DIÁRIO DE UM MARIO
O nome, claro, é uma brincadeira
com o livro do Paulo Coelho. O blog O Diário de um Mario nasceu com dois
propósitos: divulgar meus textos e criar uma disciplina para minha atividade de
escritor. No começo, funcionou: todos os capítulos de A Revolução do Silêncio nasceram
no blog, quando o romance ainda se chamava A Dinastia de Ricardo Coração dos Outros; e toda
terça-feira eu publicava uma crônica ou um poema. Com o tempo, a disciplina desapareceu,
e os livros e o Face Book foram tomando espaço do blog. Mas hoje, não: este
texto foi criado para o blog e depois copiado para o FB.
O tema do Terceiro Sarau do
Mario, ainda sem local, mas com data – 22 de agosto -, será exatamente este: Dez
anos de O Diário de um Mario. A ideia surgiu de um comentário de Luiza Kons,
que me entrevistou em seu programa Conversa de Lado, da Rádio UFSC.
Eu e minha
garage band - Carine Bergmann, seu marido Ramon e Lucas Ferreira -, fazemos
nosso planejamento quinzenal no pub Blue Bird, na Rua Mauro Ramos, em
Florianópolis. É o mais inusitado pub que conheço: só abre para almoço; à noite,
só para nós. O dono, Nicolai, dorme lá e é poeta. Nas paredes, poemas de Paulo
Leminski, José Régio e, a pedido do Nicolai, passou a ter um trecho do meu Os
Olhos Delas, que deu título ao livro que publiquei ano passado. Lá, no mesmo
Blue Bird, foi ensaiada, por Cassiano e Dilmara, uma canção minha - Cervantes, o
Bar, que fiz quando ainda morava no Rio e frequentava o Bar Cervantes na
esquina de Prado Junior com Barata Ribeiro, lá pelo final dos anos oitenta. Observar
alguns frequentadores e a redondeza inspirou o refrão: “olhando no fundo do copo”.
Dia desses, comecei a ler algumas das
crônicas da coletânea As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, de Joaquim Ferreira
dos Santos, publicada em 2007. Uma delas se chama Morreu o Valete de Copas, de
um certo João Antônio, segundo o qual Esdra Passaes, o valete falecido, "dizia
que a verdade, se existe uma, mora nos olhos das mulheres e no fundo dos copos".
Inspiração é isso: uma nuvem
passando ao alcance das mãos de quem tiver a curiosidade de saber que textura e
gosto uma nuvem tem.
Minhas boas vindas às comemorações
dos dez anos de O Diário de um Mario.
Bom domingo. Boa semana.
4.18.2015
A QUE TRABALHAVA FORA
Nasceu em um meio e tempo em que mulher trabalhar fora era feio,
Sinal de que o marido não tinha ou não ganhava o bastante.
Cedo ficou órfã de pai e mãe, e foi trabalhar - trabalhar fora.
Trabalhou em rádio, foi chefe de seção no Ministério.
Pelo Ministério, foi trabalhar fora - Nova Iorque.
Cartas
apaixonadas bem escritas cartas
a trouxeram de volta ao Brasil.
Casou-se, criou os filhos. De dia, trabalhava no Ministério.
À noite, traduzia livros
de mistério.
Já doente, me disse uma vez,
Eu sou uma mulher medíocre.
A mim coube a benção de dizer a ela o óbvio.
Muitas mulheres do seu meio e tempo poderiam se achar medíocres.
Não você.
(Os olhos delas, Bênçãos)
Sinal de que o marido não tinha ou não ganhava o bastante.
Cedo ficou órfã de pai e mãe, e foi trabalhar - trabalhar fora.
Trabalhou em rádio, foi chefe de seção no Ministério.
Pelo Ministério, foi trabalhar fora - Nova Iorque.
Cartas
apaixonadas bem escritas cartas
a trouxeram de volta ao Brasil.
Casou-se, criou os filhos. De dia, trabalhava no Ministério.
À noite, traduzia livros
de mistério.
Já doente, me disse uma vez,
Eu sou uma mulher medíocre.
A mim coube a benção de dizer a ela o óbvio.
Muitas mulheres do seu meio e tempo poderiam se achar medíocres.
Não você.
(Os olhos delas, Bênçãos)
Livrarias Catarinense, 16 de abril de 2015 - roda de poetas e autógrafos do livro Os olhos delas.
4.13.2015
3.24.2015
3.15.2015
Ter estado lá
Estive no comício das Diretas Já.
Depois – santa ingenuidade -, estava na orla de Ipanema participando da
campanha do Lula contra o Collor. Não estive entre os Caras Pintadas – hoje,
gostaria de ter estado. Hoje, estive, estava, estou. De corpo, cara e alma
lavados.
3.01.2015
ALIENAÇÕES
Há gente importando carne maturada em cerveja do Japão. Japonês
quando vem a uma churrascaria brasileira tira fotos das peças de carne. Todo
mundo sabe que o Brasil é exportador de carne. Quem importa carne do Japão provavelmente
está importando carne brasileira. Quem faz esse tipo de coisa vive em outro
planeta e faz questão de mostrar que seu planeta é outro; um caso típico de
alienação.
Há pessoas alienadas porque alijadas da informação e
educação, como há quem se aliene lendo e ouvindo exclusivamente aquilo que
pertença a uma única doutrina, e a tudo defende com base nos mantras que ouve e
repete, às vezes com ares de superioridade, não raro com grosseria. Esses, em
breve, estarão mais que alienados: isolados, porque ninguém aguenta chatos por
muito tempo.
No governo, há vários ministros alienados dos seus
ministérios, e três com destaque: o dos esportes, o da educação e o da ciência
e tecnologia. Já a presidente é alienada do país que pretensamente governa e
isolada do ministério, do congresso e da população; até de seus eleitores se
isolou.
Serão os que querem o impeachment alienados?
Quais são os maiores interessados no impeachment? No exclusivamente
da presidente, Michel Temer; no de ambos, uma extensa lista, que começa com Lula,
passa por Aécio e Marina e vai até Bolsonaro. Os provisórios – presidente da
câmara, do senado e do STF – são também interessados, especialmente em recursos
capazes de tornar provisoriedade permanência.
O que se podia querer é um governo que se interessasse e
tivesse respeito pelo país. Por exemplo, um ministério com 2/3 dos 39 ministros
que o compõem facilitaria um bocado a tarefa do Mãos de Tesoura. Ministros
afinados com seus ministérios trariam credibilidade e fariam jus ao dinheiro
que investimos nos seus salários e suas funções. Aqui no Brasil, vira e mexe se
esquece de que eles que governam são pagos por nós, e não o contrário. Se não
estamos satisfeitos, mandar embora, pedir a troca, é nosso direito. A presidente
deve ter notado que sua maldita base já deixou de ser base há tempos; então
porque não despacha logo os incompetentes, canastrões e vis? Se ela for refém
de alguma coisa, que acuse a condição e peça socorro. Se for cúmplice, aí a
história é outra; se assim for provado, e a depender do quê, vamos, sim, querer
mandá-la embora, e nos restará escolher entre os que se apresentarem. Sempre bom
lembrar que na democracia os patrões somos nós. Sempre bom não esquecer que
intervenção militar são fuzis apontados para dentro de casa, para nossas caras,
nossos narizes.
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